Claramente, o que está em jogo no debate sobre sustentabilidade é a sobrevivência do ser humano. Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, o Teólogo Leonardo Boff discute a questão da sustentabilidade argumentando que, segundo os geólogos, "existe uma taxa de extinção de fundo que ocorre no processo normal da evolução". Segundo Boff, com base em estudos e pesquisas, os geólogos estimam que a terra provavelmente passou por quinze grandes extinções desta natureza. Duas foram especialmente graves. A primeira, há 245 milhões de anos, por ocasião da ruptura de Pangéia (o continente único que se fragmentou e deu origem aos atuais continentes). O evento teria dizimado entre 75% e 95% das espécies então existentes.
A segunda ocorreu há 65 milhões de anos por causa da queda de um asteróide na região onde hoje se localiza a América Central. O evento provocou incêndios, maremotos, gases venosos e um longo obscurecimento do sol. Os dinossauros que reinavam soberanos por 133 milhões de anos foram extintos, bem como 50% das espécies vivas. Em ambos os casos, o planeta se refez, com o surgimento de novas formas de vida (BOFF, 2010).
Entre os estudiosos, há uma linha de argumentos que advoga que a terra seja regida por ciclos demarcados por renascimentos e extinções, mas enfatiza o papel do homem na aceleração dos processos. Tais estudos sustentam que está em curso outra grande extinção - iniciada a 2,5 milhões de anos, quando extensas geleiras começam a cobrir parte do planeta, alterando o clima e o nível do mar. No entanto, um fator fundamental difere o processo em andamento dos demais: ele está sendo acelerado pelo surgimento de um verdadeiro "meteoro restante', o ser humano, e suas sistemáticas intervenções no sistema da terra, particularmente nos últimos séculos.
Exemplo de devastação provocada pelo homem é a extinção em massa de espécies, inclusive no Brasil. Segundo Boff, citando o paleontologista Peter Ward, durante os últimos 35 anos, quatro espécies estão deixando de existir por dia no país. Pode-se dizer, então, que a intervenção do ser humano no sistema da terra por meio da destruição e devastação prolongada e recorrente do meio ambiente tem contribuído decisivamente para o atual cenário mundial.
Não somos a primeira sociedade que obteve avanços em diversas áreas do conhecimento e, mesmo assim, encontrou sérias dificuldades para lidar com seus desafios. A história é repleta de exemplos de sociedades que desenvolveram um estilo de vida que deu muito certo e até replicaram com sucesso este modelo para outras sociedades, mas foram surpreendidas por circunstâncias para as quais não estavam preparadas para enfrentar.
De: Adriana Camargo Pereira; Gibson Zucca da Silva; Maria Elisa Ehrhardt Carbonari.
Por: Gerente Administrativo, Consultor Empresarial e de Recursos Humanos.
Em: 07/09/2020
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